O projeto "Centro BIO: Bioindústrias, Biorrefinarias e Bioprodutos" constitiu na criação de uma nova infraestrutura tecnológica numa área emergente a nível internacional e pioneira em Portugal - as Bioindústrias, Biorrefinarias e Bioprodutos. É uma infraestrutura única para o desenvolvimento da "Bioeconomia" e das "Smart Regions" e da Bioeconomia Circular.

Trata-se de uma nova área tecnológica em Portugal, na qual o país apresenta um elevado potencial pela existência de recursos lenho-celulósicos e hidrocarbonetos passíveis de serem convertidos em novos produtos e promoverem o desenvolvimento de novas indústrias e empresas na área em questão.

O projeto "Centro BIO" foi implementado no Município de Oliveira do Hospital, com uma área de implementação de 3,8 ha, através da recuperação de umas antigas instalações abandonadas. Em termos gerais, o projeto consistiu numa ação de requalificação dessas instalações, fundamentalmente centrada na remodelação/conservação de seis edifícios aí existentes, bem como no arranjo dos espaços exteriores do recinto e na aquisição de equipamentos diversos para a conceção de novos espaços com tecnologia da mais avançada a nível mundial.

O objetivo passou pela conversão daquele espaço criando um conjunto de módulos infraestruturais funcionalmente diferenciados mas considerados como essenciais para a gestão, funcionamento e dinamização da infraestrutura, quer ao nível da investigação e apoio ao tecido empresarial, quer ao nível do desenvolvimento de ideias e projetos (pré-incubação/incubação e aceleração empresarial).

O presente projeto foi co-financiado pelo QREN, no âmbito do Programa Mais Centro e da União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, no valor de 2,685,150.00 € de investimento.

O BioREFINA-Ter é um projeto multidisciplinar de I&D que está desenhado para desenvolver, em rede, a adaptação de tecnologias avançadas para efetuar a conversão de resíduos de exploração florestal e agrícola, de solos sem aptidão agrícola, em biocombustíveis de 2ª geração substitutos do gasóleo e da gasolina.

Já conseguiu congregar uma rede internacional de conhecimento composta por 55 entidades de I&D de nove países europeus. O projeto arrancou com um financiamento em 2011 pelo Estado Português, através do IFAP, no valor de 0,5 Milhões de Euros, e – numa primeira fase – permitiu avançar para estudos científicos e técnicos sobre a viabilidade de conversão de matos e incultos e resíduos florestais em biocombustíveis avançados de 2ª geração (substitutos diretos da gasolina e do gasóleo).

O projeto BioRefina-Ter tem como objetivo a construção de uma biorrefinaria de demonstração industrial, com capacidade para produzir 25 milhões de litros por ano de biocombustíveis de 2ª geração e não concorrentes com o sector alimentar e da indústria transformadora de madeira, num território piloto que abrange os concelhos de Arganil, Góis, Oliveira do Hospital e Tábua. Representa o investimento de 125 milhões de euros nos 4 municípios e ser uma unidade de demonstração industrial para a replicação pelo território nacional. Ambiciona ainda criar o primeiro território a nível internacional com total autonomia energética, ou seja, os recursos naturais do território são suficientes para gerar energia para os consumos da atividade económica existente.

Este projeto de inovação, que ambiciona regenerar e revigorar o tecido económico e social da região, já foi considerado pelo Estado Português como um projeto de interesse nacional, sendo atualmente o maior projeto português em curso na área da biorrefinarias/bioindústrias. Apresenta-se como a alternativa ao combate dos grandes incêndios florestais e na minimização dos graves impactes ambientais, económicos e sociais originados por este paradigma.

Segundo um estudo realizado recentemente pela BLC3, os incêndios florestais podem representar uma perda económica, a nível nacional, de 800 a 1000 milhões de Euros. Pode representar para Portugal uma economia anual nas importações de petróleo de 4.500 - 6.000 milhões de euros, permitindo fazer frente a dois dos maiores problemas com que o país se debate – os incêndios florestais e a dependência do petróleo.

A Estratégia da UE para 2020, anunciada em 2010, inclui a Bioeconomia como um componente importante de três grandes prioridades estratégicas:

  • Crescimento inteligente: desenvolver uma economia de base em conhecimento e inovação;
  • Crescimento sustentável: promover uma utilização mais eficiente dos recursos ecológicos e uma economia mais competitiva; e
  • Crescimento inclusivo: fomentar uma economia que assegure a coesão social e territorial.

A Bioeconomia refere-se à produção sustentável e conversão de recursos naturais biológicos numa variedade de bioprodutos, alimentos, compostos, outros produtos industriais e a energia. Engloba todas as indústrias e sectores da produção, gestão ou qualquer outra forma de utilização dos recursos biológicos (incluindo resíduos orgânicos).

A Bioeconomia moderna é baseada em conhecimento e inovação através das ciências biológicas, juntamente com outras tecnologias, tais como engenharia, química, ciência de computação e nanotecnologias. O desenvolvimento da Bioeconomia permite a "re-industrialização" do território através dos seus próprios recursos e a revitalização do setor primário.

O tecido económico da Região Interior necessita, a nível empresarial, de apoio técnico e estrutural e da introdução de ideias inovadoras e de novas tecnologias de conversão e valorização dos recursos: valorizar a "Terra". Necessita também da fixação de massa crítica e de jovens para combater a desertificação. É neste âmbito que o projeto "Bioeconomia e Smart Regions" tem sido desenvolvido, estando agora numa fase de dimensão nacional para o desenvolvimento da "Bioeconomia e Smart Regions" em territórios com necessidades de desenvolvimento económico, de baixa densidade e em flagelo.

Inserido na temática da Agenda 21 Escolar e na estratégia de crescimento inteligente da União Europeia, o Lab-i-DUCA é um projeto de I&DT que está a ser desenvolvido pela BLC3 em consórcio com as escolas da região Beira Serra, desde 2012.

O Lab-i-DUCA insere-se numa estratégia, trabalho e grande esforço que a BLC3 tem vindo a desenvolver, com diversas instituições nacionais e internacionais, no campo da educação para o desenvolvimento sustentável infanto-juvenil, tendo tido o apoio do CiênciaViva para a realização de atividades de promoção da literacia científica durante um ano.

Assim o projeto pretende fomentar/contribuir para o desenvolvimento sustentável nos seus principais domínios (Económico, Social e Ambiental) preconizando: 1) a promoção do valor próprio, através da promoção do bem-estar (físico e mental) e competências, assim como, a estimulação e o desenvolvimento pessoal dos alunos tendo em consideração os valores da região onde são naturais; 2) valorização económica dos recursos endógenos, através da qualificação de capital humano; 3) fomentar nos jovens um espirito empreendedor e inovador, através da promoção da criatividade e outros mecanismos; 4) o recurso às tecnologias de informação/ informática com o objetivo de monitorizar/acompanhar o desenvolvimento das competências supracitadas e auxiliar no desenvolvimento de ferramentas e métodos para avaliar as mesmas e estimular os alunos.

Os efluentes das queijarias são uma problemática e dificuldade existente e que muito preocupa todos os agentes económicos, diretos e indiretos, das zonas afetadas. Por um lado, as dificuldades em tratar e minimizar os impactes ambientais destes efluentes, e por outro, a significativa importância desta atividade para a região e sector primário.

No seguimento de 2 anos de trabalho de investigação e estudo por parte de alguns colaboradores da BLC3 o projeto de aproveitamento e valorização dos efluentes das queijarias encontra-se em fase de patente, com potencial enorme para a região, quer ao nível da possibilidade de produção novos produtos, como da minimização muito significativa dos problemas ambientais originados por este tipo de efluentes, perspetivando-se uma melhoria na qualidade de vida das populações afetadas, dos recursos hídricos e dos solos.

A BLC3 conseguiu juntar os produtores de queijo do concelho de Oliveira do Hospital, o Município de Oliveira do Hospital. A caracterização deste sector foi terminada, permitindo concluir que o volume de efluentes das queijarias na região é significativo, aproximadamente 18 Milhões de Litros por ano. Nesta fase diversos municípios e entidades despertam interesse no trabalho desenvolvido pela BLC3, sendo que o município de Oliveira do Hospital assume principal destaque, pelo facto de ter apoiado e fomentado este projeto desde o seu início.

Este projeto é o resultado do Clube de Jovens Agricultores criado no Centro Tecnológico e de Inovação. Até à data representa já um investimento de cerca de 1,7 milhões de euros e a plantação de aproximadamente 60 hectares de macieiras e pereiras de S. Bartolomeu. Representa a primeira estrutura profissional de jovens agricultores que se está a criar na região de Arganil, Oliveira do Hospital, Tábua e Seia.

Numa altura em que o mundo revela uma grande apetência pelos frutos secos – altamente valorizados nos mercados internacionais –, o projeto da BLC3 visa inovar, com um novo "modus operandi", e valorizar uma das maiores riquezas regionais da região: a pera de S. Bartolomeu, também conhecida por Pera Passa, que quase desapareceu por falta de investimento tecnológico.

O projeto de I&DT, co-financiado pelo QREN e com um valor de investimento global de 603.623,10 Euros prevê a criação de uma unidade piloto que descasca, desidrata, espalma e embala as peras, automatizando todo o circuito que vai desde a produção até à entrada na cadeia comercial, com o objetivo de tornar esta linha ecoeficiente, por forma a tornar o processo competitivo. Os testes feitos na unidade piloto permitirão, mais tarde, a industrialização desta grande riqueza regional e a sua recuperação para os mercados nacional e internacional. A principal zona de produção dos frutos da pereira de S. Bartolomeu situa-se nos concelhos de Oliveira do Hospital, Tábua, Seia e algumas freguesias dos concelhos de Viseu, Nelas, Gouveia, Mangualde e Santa Comba Dão.

O principal objetivo deste projeto de I&DT, com o apoio dos fundos estruturais QREN/MaisCentro e com um investimento global de 338.647,93 Euros, é a valorização de um queijo DOP, através do desenvolvimento de um projeto de investigação aplicada para a construção de um protótipo de fabrico de unidoses de queijo de pasta mole.

Este é um projeto que tem como promotores a BLC3, a empresa Paulo Rogério e a Universidade do Minho. O Queijo Serra da Estrela DOP é considerado como um dos melhores do mundo. Porém, dada a incapacidade de o valorizar junto do consumidor, tem estado sujeito a uma grande indisciplina de mercado, arriscando-se a entrar em vias de extinção. Com a finalidade de valorizar a cadeia de valor, tanto para os produtores de leite como para as queijarias, que fabricam aquela iguaria serrana de Denominação de Origem Protegida a partir de leite de ovelha da raça Bordaleira Serra da Estrela, o projeto terá as seguintes fases: a) Criação de um "kit" analítico que diferencie o queijo produzido com o leite da raça Bordaleira Serra da Estrela daquele que incorpora leite importado de Espanha ou de raças de outras regiões geográficas; b) Eliminação dos bolores, que dificultam a conservação do queijo após os 35 a 40 dias de cura; c) Fatiagem do produto em doses individuais para responder aos novos padrões de consumo, com embalamento no auge da qualidade, através de uma embalagem que mantenha a textura da fatia e permita a sua conservação, sem bolores.

Os cogumelos têm um papel primordial nos ecossistemas. Mudanças nos recursos e habitats naturais relativamente ao uso da terra, poluição, fogos, espécies exóticas e clima, todos têm o potencial para influenciar a estrutura e composição das comunidades de cogumelos. Neste contexto, o valor da diversidade e características próprias dos cogumelos na natureza, são tópicos de investigação críticos de modo a abordar a saúde, produtividade e sustentabilidade dos ecossistemas. Sendo assim, é de crítica importância a avaliação do valor da diversidade dos cogumelos nativos desde uma escala local nacional a internacional, de modo a aumentar as reservas de cogumelos na Europa. Da mesma forma, os cogumelos de alto valor acrescentado têm uma maior representação no apoio crítico emergente no campo da bioindústria (e.g. biotecnologia, biomedicina, bioenergia), enquanto providencia um retorno económico atrativo e nos serviços dos ecossistemas. Algumas das espécies de cogumelos de alto valor acrescentado ganham maior importância não apenas por causa do seu valor para as funções do ecossistema, mas também pelas suas propriedades organolépticas e nutritivas ou devido à presença de compostos bioativos. Além disso, alguns solos de cogumelos estabelecem uma relação simbiótica com raízes de plantas, chamadas micorrizas, reconhecidas como mediadores críticos nos processos biológicos e ecológicos, onde se inclui o ciclo de nutrientes, saúde das plantas, proteção dos solos e controle de doenças biológicas de raízes.

A missão do Centro de Micologia Aplicada (CMA) é providenciar investigação básica a aplicada na diversidade e características das reservas funcionais de cogumelos de valor acrescentado, concentrando a atenção na decadência da biodiversidade, ameaças ambientais e problemas socioeconómicos que as florestas do Mediterrâneo encaram hoje em dia, mas também, nas oportunidades para iniciativas de negócio sustentáveis e inovadores e na assistência de tomadas de decisão. O CMA|BLC3 procura, também, uma nova plataforma de investigação nacional e internacional de modo a entender e melhorar a identidade das reservas de cogumelos de valor acrescentado, para restabelecer e proteger a biodiversidade nativa e os serviços dos ecossistemas, bem como, determinar soluções de eficiência produtiva, assegurando, assim, a segurança ambiental. Os principais objetivos do CMA|BLC3 são: 1) documentar a diversidade de cogumelos de valor acrescentado na natureza e na Europa; 2) desenvolver o conhecimento biotecnológico; 3) construir capacidade de valorização da diversidade e características das espécies nativas de cogumelos para suporte da gestão de planeamento sustentável e inovação industrial; 4) construir capacidade de apoio à administração agroflorestal e bioindustrial a nível europeu (e.g. produtos, sistemas de produção, e desenvolvimento de um conjunto de indicadores e critérios de qualidade e sustentabilidade); 5) desenvolver e promover redes de conhecimento e consciência acerca do valor da biodiversidade nativa na Europa, bem como, ações relativas à conservação e sustentabilidade.

Atualmente o CMA|BLC3 coopera já com centros de investigação portugueses, espanhóis e italianos.

Explorar o potencial económico dos valores e dos co-produtos dos ecossistemas florestais é o objetivo do projeto biotecnológico que a BLC3 está a desenvolver conjuntamente com o Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e a Voz da Natureza – uma empresa incubada e "spin off" da BLC3 comatividade na área da investigação científica e tecnológica para o desenvolvimento de produtos inovadores.

O projeto visa desenvolver, na região interior centro do país, a produção de cogumelos silvestres nativos e investigar as condições propícias para a produção de trufas – fungos do solo que formam cogumelos subterrâneos. Este projeto foi cofinanciado QREN, com um investimento global de 465.554,18 Euros. O ValueMicotecTruf contribuirá não só para a fitossanidade dos ecossistemas como para o desenvolvimento da atividade económico de elevado valor acrescentado.

O setor têxtil da região Beira Serra é um importante setor empregador e de atividade económica. Neste contexto, a BLC3 está a dinamizar um cluster têxtil para o a valorização do setor, para o desenvolvimento de novos produtos e ligação ao Sistema Científico e Tecnológico. Este cluster é composto por 9 empresas da região Centro.

Esta união permite que haja um aumento de capacidade de gerar valor acrescentado nas linhas de produção atual, pela produção de produtos com maior valor acrescentado.

O S-MOBIL é um projeto de mobilidade elétrica assente em 5 pilares: "Smart", "Small", "Self", "Security" e "Sustainable". Este projeto encontra-se em fase de desenvolvimento piloto e está a criar um novo modelo de negócio de mobilidade elétrica "low-cost" e com capacidade de responder aos desafios inerentes aos sistemas de mobilidade.

O principal objetivo deste projeto é avaliar, demonstrar e disseminar o uso sustentável de cinzas (a partir da combustão de resíduos de biomassa florestal), combinada com resíduos orgânicos (lamas da indústria do papel e celulose ou composto), para regenerar solos degradados de áreas mineiras, em conformidade com a "Estratégia temática de proteção do solo" da UE. O projeto irá reduzir o impacto dos resíduos da indústria de celulose e papel no meio ambiente, bem como proporcionar uma melhor utilização dos recursos, de acordo com os critérios "Fim-dos-resíduos", contribuindo para a mitigação da emissão de gases de efeito estufa.
Para demostrar o potencial de resíduos orgânicos em combinação com cinzas para regeneração dos solos, o projeto irá concentrar-se na aplicação in-situ de corretivos do solo, utilizando uma combinação de dois tipos de materiais que apresentam pH alcalino e altos teores de Ca, Mg, Na, K e P (cinzas de biomassa) e alto teor de matéria orgânica (lamas biológicas e composto), em escala piloto, em três áreas mineiras localizadas na Faixa Piritosa Ibérica. Será também desenvolvido um sistema de apoio à decisão para a gestão sustentável e utilização em larga escala de cinzas de biomassa.

Beneficiário coordenador: Universidade de Aveiro
Beneficiários associados: Associação BLC3 – Campus de Tecnologia e Inovação, EDM - Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A., Instituto Politécnico de Beja, Portucel, S.A. e RAIZ - Instituto de Investigação da Floresta e Papel